Tenho um afilhado com 18 anos que foi adoptado aos quatro. Desde pequeno recorremos a pedopsiquiatras e psicólogos, pois era uma criança hiperactiva, com dificuldades na fala, de concentração e de aprendizagem. A vida tem sido complicada para ele. Quando tinha oito anos morreu o padrinho, passado quatro anos morreu o pai com quem ele tinha uma relação muito forte e três anos depois morreu o avô. Ficámos, portanto, só mulheres para o ajudar. Após a morte do meu marido, ainda ele era uma criança, um dia muito assustado chamou os pais e disse que estava ali o padrinho. Situações como esta aconteceram várias vezes, chegou até a referir que via pessoas que não sabia quem eram. É um jovem com dificuldade de aprendizagem e agressivo, principalmente se é contrariado. Já recorremos a inúmeros psiquiatras, sem sucesso. Um destes médicos disse que ele era bipolar, outro que ele tem distúrbios comportamentais. Ouvi referências à hipnoterapia, que o professor aplica nos seus doentes. Peço a sua opinião, no sentido de saber se este método resultaria com ele.
O facto de ser uma criança adoptada, decerto com informação insuficiente sobre o seu passado (antecedentes familiares, gravidez, parto e desenvolvimento) até aos quatro anos não facilitou, ou facilita ainda, uma intervenção terapêutica adequada. Por outro lado, existiram e ainda existem situações clínicas algo complexas (hiperactividade, dificuldades na fala, concentração e aprendizagem, e agressividade como resposta ao baixo nível de tolerância de frustração). Juntam-se-lhe perdas afectivas significativas em pouco tempo e quando criança. Situações em que crianças referem «ver» presenças de humanos são relativamente frequentes. Referem-se como hipóteses explicativas, tratar-se de «companheiros imaginários», que preenchem a ausência de seres queridos ou para compensar uma solidão. Parece, também, haver a possibilidade de se tratar de pessoas com capacidades extra-sensoriais, capazes de captar outras «informações» de modo paranormal. Um diagnóstico claro destas situações, mesmo de um ponto de vista clínico (distúrbio comportamental ou bipolaridade) só será possível perante uma entrevista clínica. Não havendo unanimidade, procure outra opinião. A hipnose clínica pode ser um meio excelente, na sua técnica de regressão de idade, para pesquisar o «tal passado oculto» – real ou imaginário – e, com o «material» obtido na sessão, iniciar uma psicoterapia comportamental em vigília ou sob hipnose. Procure um psicólogo clínico certificado como hipnoterapeuta por uma associação de profissionais, como, por exemplo a IMAGINAL.
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